• K. F. Zacharias

Radassa x Malévola

Updated: 5 days ago



Quando comecei a criar a Saga Bela Adormecida, tinha essencialmente em mente que o passado da Malévola devia de ser explorado. Vingar-se de alguém a ponto de querer praticamente matar era uma ação demasiada para uma vingança por não ter sido convidada para uma festa. Então precisava ir mais fundo e criar um passado e um presente em que ela agisse não pela vingança, mas por algo mais profundo enraizado em sua alma.

Radassa teve um passado difícil, um pai agressivo, uma mãe submissa. Única mulher em uma família de vários irmãos, ela tinha a necessidade de se destacar, e principalmente de ter a capacidade de tomar decisões por si mesma e não ser mais humilhada.

Desde pequena Radassa já possuía um lado negro, e vivendo em um ambiente violento esse seu lado só foi crescendo. Com o passar dos anos Radassa aprendeu a esconder sua escuridão, mas deixou-a crescer dentro de si, alimentou-a com sentimentos de dor, raiva e angústia, e assim que se transformou em protetora, devido ao desenrolar dos acontecimentos e ao ritual inacabado, seu lado negro transbordou. Radassa assumiu uma ferocidade implacável e partiu em busca de algo que lhe desse mais poder. Suas suas decisões levam, aos poucos, a caminhos de morte, magia negra, violência e guerra.


Escrevi um pequeno capítulo sobre o passado da vida de Radassa que não está no livro Adormecendo na Escuridão (livro 1), copio abaixo para vocês.

Grande abraço

K. F. Zacharias

Memórias Que Devem Ser Esquecidas

O ruído seco do chicote ecoou ao tocar o chão áspero e Radassa pôde ver, pela estreita visão da porta semiaberta do armário, aquela quem mais amava aos prantos, no chão, encolhida como um animal, com a face contraída e os braços na frente do corpo já esperando a próxima chibatada.


– Ela não está aqui, Vladmir! Radassa não está aqui! – bradou a mulher com a voz eloquente de desespero.


– Você sabe o que Radassa fez, Georgia, pare de protegê-la! – vociferou ele.


Ela deu um suspiro relembrando-se das pequenas e delicadas mãos do menino machucado, ressecadas, sujas de sangue seco, unidas pela corda áspera que atava os pulsos.


– Radassa é só uma criança, Vladmir – falou a mãe com uma voz suave.


– Você sabe o que ela causou?! Criou um conflito entre mim e o maior senhor de terra Cerk! Por que a esconde, Georgia?! Veja o que você está criando! – gritou ele e pensando no que a menina havia sido capaz de fazer sua feição ficou assombrada.


– Radassa tem uma personalidade malévola – ele murmurou.


A mulher se enfureceu com o comentário, virou-se para ele, tirou os braços da frente do corpo e projetou o peito com o rosto feroz.


– Você está tornando-a dessa forma, você está despertando o que há de pior nela. Um dia você irá pagar, Vladmir, por todo esse mal que faz a ela e a mim – afirmou a mulher, com veemência.


Ele se abaixou, Vladmir tinha um corpo forte, grande e pesado, puxou o rosto da mulher para perto e deu uma baforada.


– Você é fraca, Georgia. Não tem força nem para impor limites para sua própria filha. Você não passa de um mulher fraca! – retorquiu ele em um tom baixo.


– A minha maior fraqueza é ainda estar ao seu lado, Vladmir. Mas eu tenho sim força suficiente para proteger minha filha de você! – Ela o provocou irritada. Com os olhos apertados e desafiadores ela o olhou fundo.


Ele a jogou no chão e se levantou com fúria. Então pressionou o chicote preso à cintura, agarrou a base e tomou distância.


Georgia se encolheu, o medo se dissipou por todos os seus membros deixando-os rijos e ela abraçou a si mesma tentando se proteger.


Vladmir levantou o braço, posicionou o chicote e a encarou, depois deu um sorriso de canto de boca ao sentir o poder que aquele objeto de tortura lhe dava. Então rasgou o ar veloz e um estalo estridente ecoou pelo quarto.


Radassa, ainda escondida no armário, sentia o estômago doer de nervoso, e chorava sem fazer nenhum ruído para que seu pai não descobrisse seu esconderijo.


Com a vista embaçada pela cachoeira de lágrimas, ela apenas via a angustiante dança do chicote, riscando ar e ferindo o corpo macio de sua mãe, permeada de gritos esganiçados de dor.

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